“Quando a Escola é um Lugar de Pertença” – Dra. Sandra Couto

No 1.º Ciclo do Ensino Básico, a escola assume um papel profundamente decisivo no desenvolvimento da criança, não apenas como espaço de aprendizagem formal, mas como um contexto de vida onde a criança pode crescer de forma integral e constrói referências, cria vínculos significativos e inicia a relação consigo própria, com os outros e com o mundo que a rodeia. É neste período que se consolidam aprendizagens essenciais, mas é também aqui que se afirmam a identidade, a confiança e o sentimento de pertença a uma comunidade educativa. 

Este sentimento de pertença constrói-se de forma contínua e intencional, nas relações quotidianas com os professores, com os colegas, com os espaços da escola e com as rotinas que estruturam o dia a dia. Uma criança que se sente vista, escutada e acompanhada desenvolve, de forma natural, uma ligação positiva à escola, o que se reflete no seu envolvimento nas aprendizagens, na disponibilidade para enfrentar desafios e no desenvolvimento gradual de um sentido de responsabilidade cada vez mais consciente. 

O professor desempenha um papel central neste processo, assumindo-se como referência pedagógica, emocional e relacional. A clareza das expectativas, a consistência das rotinas e a qualidade da relação estabelecida contribuem para que a sala de aula seja vivida como um espaço seguro, onde o erro é entendido como parte do caminho e onde cada aluno se sente encorajado a participar, a arriscar e a aprender. 

Ainda assim, torna-se essencial fomentar o contacto com diferentes docentes. No Real Colégio de Portugal, essa experiência acontece em várias disciplinas, permitindo ao aluno adaptar-se a distintos estilos de ensino, dinâmicas de sala de aula e formas de organização do trabalho. Deste modo, o aluno é preparado para um percurso escolar que será marcado pela diversidade de contextos e pela interação com vários professores. 

A escola enquanto lugar de pertença constrói-se também através da valorização da diversidade. Cada criança chega com o seu ritmo, as suas experiências, interesses e necessidades, e é no reconhecimento dessas diferenças que a comunidade educativa se fortalece. O trabalho cooperativo, os projetos comuns, a partilha de responsabilidades e a participação em decisões ajustadas à idade promovem a inclusão, o respeito mútuo e o sentido de grupo, ajudando cada aluno a reconhecer-se como parte ativa da comunidade. 

No Real Colégio de Portugal, esta visão ganha forma numa proposta educativa que procura equilibrar, de modo consciente e coerente, o rigor escolar com um acompanhamento próximo e atento, sem nunca perder de vista a formação integral do aluno. O 1.º Ciclo é entendido como uma etapa verdadeiramente estruturante, não apenas pela aquisição de conhecimentos fundamentais, mas sobretudo pelo papel que desempenha na construção de atitudes, valores e competências pessoais e sociais que sustentam todo o percurso escolar futuro. Aprende-se a ler, a escrever e a calcular, mas aprende-se também a estar com os outros, a persistir perante a dificuldade, a assumir responsabilidades e a ganhar consciência de si próprio enquanto aluno e enquanto pessoa. 

Neste sentido, o percurso educativo é enriquecido com experiências que procuram alargar horizontes e dar sentido às aprendizagens, respeitando as características e a maturidade de cada idade. A aprendizagem de Mandarim, introduzida a partir do 3.º ano, oferece um contacto precoce com uma nova língua e uma cultura diferente, estimulando a curiosidade intelectual, a abertura ao outro e a flexibilidade cognitiva, ao mesmo tempo que promove uma atitude positiva face à diversidade e ao conhecimento do mundo. Já no 4.º ano, a integração do Laboratório de Empreendedorismo e Literacia Financeira permite aos alunos aproximarem-se, de forma ajustada e significativa, de noções relacionadas com planeamento, tomada de decisões, cooperação e responsabilidade, ajudando-os a compreender melhor a realidade que os rodeia e o seu papel nela. 

Quando a escola é vivida como um verdadeiro lugar de pertença, aprende-se mais e aprende-se melhor. No 1.º Ciclo, esta vivência assume um valor particular, pois influencia de forma duradoura a relação da criança com a escola e com a aprendizagem ao longo da vida, constituindo um compromisso educativo central e uma responsabilidade partilhada por toda a comunidade escolar.